OCINÓRI - A Tasquinha do Irónico

segunda-feira, janeiro 08, 2007

IVG I

Tenho andado, ando, muito preocupado com o agora-outra-vez-badalado assunto do referendo da IVG.

Não gosto da palavra “aborto”. Tem demasiado “ós” e o “r” e o “t” tornam-na violenta. Esta palavra é utilizada como insulto e calão. É usada com leviandade. É um termo de algibeira. É uma coisa má, que se fez mal, e que urge apagar. É uma palavra vulgar e vulgarmente utilizada com demasiados sentidos e em demasiados contextos.

Por outro lado, “interrupção volutaria da gravidez“ não deixa grande coisa para interpretar. É aquilo e aquilo mesmo. E o que é....!

Em 1998 eu ainda era solteiro e bom rapaz. Não tinha o Manel nem em cenário. Quase tinha casa e quase tinha emprego. Sobretudo, tinha 22 anos. Acho que era bom rapazito e tentava pensar pela minha cabeça. E nessa altura parecia-me que fazia todo o sentido não haver referendo e simplesmente legislarem o que havia a legislar. Ponto. Em 2007 já tenho mais uns anitos, já pensei mais um bocado, já vi mais coisas, li, ouvi muito - falei ainda mais, se calhar.

Cada vez tenho mais duvidas. É que, se por um lado não se pode confiar na cabeça de cada um, por outro, é proibido proibir. E em que é que ficamos?

7 Comments:

  • Eu não sou a favor, mas claro sou suspeita... Acho que antigamente não havia informação mas hoje em dia acho que as pessoas deviam pensar melhor será mais facil evitar ou abortar?
    Também não acho justo, porque os casais que não conseguem ter filhos, esses o estado nem quer saber... Agora pergunto eu achas mais justo "IVGI" ou ajudar que sofre de "infertilidade" ?

    By Anonymous just_me, at 9:18 da manhã, janeiro 09, 2007  

  • "bs" (blasfemo e sacrilogo)! "ipf" ( ides para o inferno). tu e todos aqueles que decidirem realizar uma "ivg". tenham todos um "bd" bom dia

    By Blogger The one you know, at 11:15 da manhã, janeiro 09, 2007  

  • A questão neste referendo não é se estamos contra ou a favor da interrupção voluntária da gravidez (vulgo aborto). A questão neste referendo, e que urge legislar, é a de que, apesar de proibido por lei é realizado, em muitos casos em péssimas condições. Além disto existe um negócio que floresce a cada dia que esta lei se mantém e não é alterada.
    Neste momento não é a proibição que impede quem quer que seja de realizar uma IVG. Neste momento quer decide fazer fá-lo. Por não ter mais opções, por não ter mais saídas, por se sentir completamente desamparada e perdida nos seus problemas. E quem decide fazê-lo e faz vive com isso toda uma vida.
    A manutenção desta lei implica julgamentos. Podem dizer-me que são poucos os que têm ocorrido, ou se ocorrem não resultam em condenações. Mas se assim é então para que existe a lei? Segundo me ensinaram as leis existem para cumprir e fazer cumprir. Se a lei não é cumprida na totalidade porque existe? E porque não se altera?
    Ainda não olhei para o projecto de lei a ser referendado, mas em 1998 um dos artigos (não sei muito bem se é assim que se designa)contemplava que as mulheres seriam acompanhadas por equipas médicas antes e após a IVG (caso decidissem por ela). O acompanhamento posterior tinha por objectivo evitar IVGs futuras, pois segundo alguns estudos uma grande % de mulheres q abortava uma vez, voltava a fazê-lo. Por vezes parece-me que muitos dos que defendem o NÂO fazem-no por receio que a IVG seja usada como método contraceptivo. O que referi em cima do acompanhemento posterior destrona um pouco este argumento.
    Estou em crer (sim porque sou uma crente, em vários sentidos)que a aprovação desta lei seria benéfica também no que diz respeito à educação sexual nas escolas. Talvez se andasse finalmente com isso para a frente. A informação existe sim, mas não chega a todos. Por vezes esquecemo-nos da assimetria deste nosso pequeno país, esquecemo-nos que nem todos computador ou internet.
    Não tenho nada contra as pessoas que defendem NÃO. Cada um decide de acordo com o que acredita e com o que acha ser o melhor. Só tenho pena que o que a discussão não seja séria, que se apele ao sensacionalismo, que se confunda alhos com bugalhos.(e isto vale para os dois lados)
    just_me: eu compreendo a tua questão, afinal de contas os casais inferteis não têm muita ajuda, mas são situações que não se podem comparar.Além do mais, e isto é apenas uma pequena provacação, em muitos tratamentos de fertilidade existem muitos embriões excedentários, que em algumas situações acabam por ser destruídos.
    Desculpa lá o lençol Gustavo...

    By Blogger Ana, at 12:26 da tarde, janeiro 09, 2007  

  • E do "a", presumo que gostas do "a"...

    odeio repetir-me, mas aqui vai: ainda não sei se voto pelo que já disse, odeio repetir-me. Será que não há ninguém que se sinta incomodado por se fazerem dois referendos sobre a mesma coisa? Serei o único a sentir-me insultado?

    By Blogger Rafeiro Perfumado, at 6:26 da tarde, janeiro 09, 2007  

  • o ideal era deixarem cada um decidir o que é melhor para si...
    afinal de contas a liberalização do aborto não é nenhum tratado que obriga as pessoas a fazê-lo....

    a minha máxima é que cada um sabe de si...

    By Blogger A mão que escreve, at 11:46 da tarde, janeiro 09, 2007  

  • just_me, na minha opinião são dois assuntos independentes mas que podem merecer uma abordagem conjunta - este seria a verdadeira discussão pública com a qual sairiamos todos a ganhar

    Ana, obrigado pelo lençol, julgo ser um contributo para a discussão, daqueles que tem faltado. Vê lá se tens pachorra para ler o articulado completo e depois vens cá dissertar para ver se aprendemos alguma coisa!


    rafeiro, por muito que me custe admitir tens razão: o referendo já se realizou e isso (juridicamente) deveria bastar

    mão que escreve: todas as minhas reflexões vão nesse sentido mas encalho sempre ao pensar na anarquia que seria cada um fazer o que lhe dá na real gana

    By Blogger Gustavo, at 12:51 da manhã, janeiro 10, 2007  

  • Manel é um nome tão lindo pa um filhooooo :D também gosto :D (mas ainda não tenho nenhum :( )

    By Blogger clara, at 6:25 da tarde, janeiro 11, 2007  

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